Porque caminhar com o seu amigo de 4 patas? Quais os benefícios?

  
Você adora o seu animalzinho de estimação, mas quando deveria passear com ele a preguiça não deixa ou não encontra tempo de se exercitar? Saiba que uma simples caminhada pode tornar você uma pessoa fisicamente ativa além de queimar muitas calorias. Para quem se preocupa com a boa forma e com o bem estar do seu animal, vamos entender esses benefícios que podem ser executados em clima de muita diversão! 

Benefícios para o cão

É comum muitos donos procurarem o Médico Veterinário convencidos de que seu cão sofre de distúrbio de hiperatividade. A verdade é que a hiperatividade é uma síndrome rara, caracterizada por atividade excessivamente acima do normal, impulsividade, peso abaixo do normal e padrões fisiológicos constantemente alterados, como frequência respiratória alta o tempo inteiro. Na maioria dos testes que podem ser realizados para um real diagnóstico, os resultados apontam que na maioria dos casos os sinais notados pelos donos não se tratam de hiperatividade, mas, da predisposição da raça (raças de trabalho), falta de exercício, interação social e entretenimento. Kim Tinker, da Universidade de Oregon, afirma que não existem cães hiperativos, mas sim cães dependentes de exercício físico. 

Outro benefício importante é a socialização. É importantíssimo que o cão se relacione com outras pessoas e outros animais, isso irá ajudar em sua mudança de comportamento, desde quando for passear na rua ou em locais desconhecidos, até na maneira como recebe visitas em casa. Se você não deseja ter um cãozinho estragando a sua casa, leve-o pra passear! 
Benefícios para o dono

A caminhada é uma prática que apresenta índices quase inexistentes de lesões, portanto é muito proveitosa para todas as idades. Quando caminha regularmente, você se sente melhor, tem mais energia e fica menos estressado, melhora sua autoestima, aumenta sua resistência ao cansaço e contribui para que todo o seu corpo esteja preparado para as atividades do dia a dia. Fontes: Folheto. Caminhada. O exercício ideal. Bristol-Myers Squibb Brasil; M. Roberts (2001) Boa forma em 90 dias. São Paulo: Globo. 
Uma boa maneira de caminhar é três vezes por semana de 30 a 60 minutos. Dessa forma você irá reduzir diversos riscos como problemas de coração, ansiedade e depressão, além de perder peso. Aliando o hábito de caminhar com uma alimentação nutritiva e saudável, você melhora a sua saúde, previne as doenças e proporciona melhor qualidade de vida para o seu cãozinho.
Cuidados na hora da caminhada
  • Não ande com o cachorro solto e escolha uma boa coleira. Assim como você escolhe um tênis confortável para caminhar ou correr, o conjunto de coleira e guia devem ser cuidadosamente selecionados. Peitorais são melhores que coleiras para o passeio, evitam que o animal machuque o pescoço. Verifique se não estão apertadas, pois podem causar desconforto ao animal. 
  • Para garantir a segurança do passeio os tutores de cão de grande porte devem estar atentos ao uso da focinheira. “Cães como o Fila Brasileiro, por exemplo, devem, por lei em alguns estados, caminhar com essa proteção”. Para donos de fêmeas, é indicado o uso de calcinha no período do cio.
  • Passear ao lado de outros cães é bastante positivo do ponto de vista de socialização canina.
  • Nunca esqueçam de recolher as fezes do seu animal! Saia sempre com um saquinho, coloque- o na mão, recolha, depois vire do avesso, faça um nó e ponha no lixo. Vamos manter as ruas limpas!
  • Antes das 10 horas da manhã ou após as 16 horas da tarde quando o sol já não está tão forte, é mais recomendável passear com seu cão.
  • Verifique antes de sair de casa se o seu cão está hidratado e leve água para oferecê-lo, caso a sua temperatura aumente e ele fique muito ofegante.
  • O seu cão precisa entender que você é o guia. Não deixe-o te puxar pela coleira, se isso acontecer, pare por um tempo e ande em ziguezague. Com o tempo ele aprenderá se comportar no passeio.
  • Como forma de prevenção a possíveis contaminações, o cachorro deve sair protegido. O animal deve estar vermifugado e ter tomado medicação carrapaticida e as vacinas necessárias, inclusive contra raiva. Existem alguns sapatinhos que protegem da lama e, em caso de tempo muito frio, é indicado o uso de roupinhas. A atenção vale para também filhotes, que devem sair de casa após os três meses, período em que já tomou as injeções necessárias.

Cuide bem do seu melhor amigo!! 
Fernanda Mirante – Estudante de Medicina Veterinária
Ilhéus, Universidade Estadual de Santa Cruz – BA


Fontes:

Bom pra cachorro! : qualidade de vida para o seu cão / Regina Motta. – São Paulo : Editora GENTE, 2009. 

Cão de família: A arte de cuidar, educar e ser feliz com seu melhor amigo / Alexandre Rossi e Alida Gerger. – Rio de Janeiro: Agir, 2011.
Para ensinar educação física: Possiblidades de intervenção na escola/ Suraya Cristina Danido, Osmar Moreira de Souza Júnior. – Campinas, SP: Papirus, 2007.

Toxoplasmose em Gatos X Gestação em Mulheres

Visão geral sobre conceitos, desenvolvimento da doença, formas de transmissão, formas de tratamento,  medidas preventivas e a relação entre o gato e a gestante.
O que é a toxoplasmose ?
A toxoplasmose é uma doença causada por um parasita unicelular chamado Toxoplasma gondii (T. gondii). É uma das doenças parasitárias mais comuns e foi encontrada em quase todos os animais de sangue quente, incluindo os animais de estimação e os seres humanos. Apesar da alta prevalência da infecção pelo T. gondii , o parasita raramente causa doença clínica significativa em gatos, ou em qualquer espécie.
Embora a infecção geralmente leve a uma doença assintomática em pessoas com sistemas imunológicos saudáveis​​, é arriscada durante a gravidez porque o parasita pode infectar a placenta e o bebê. Por isso as mulheres grávidas e indivíduos que apresentam o sistema imunológico comprometido devem ser cautelosos, pois para eles uma infecção por Toxoplasma pode causar sérios problemas de saúde.

O que causa a toxoplasmose ?
O ciclo de vida do Toxoplasma gondii é complexo e envolve dois tipos de hospedeiros,  definitivo e intermediário. Gatos, selvagens e domésticos, são os únicos hospedeiros definitivos do Toxoplasma gondii. Isto significa que o parasita pode apenas produzir ovos (oocistos) quando infecta um gato.
Quando um gato ingere uma presa infectada ou carne crua contaminada, o parasita é liberado em seu trato digestivo. Os organismos então, se multiplicam na parede do intestino delgado e produzem oocistos (ciclo de infecção intraintestinal). Estes oocistos são então excretados em grande número nas fezes do gato.
Gatos expostos pela primeira vez ao T. gondii começarão a eliminar os oocistos entre três e 10 dias após a ingestão do tecido infectado , e continuarão eliminando por cerca de 10 a 14 dias, período no qual podem ser produzidos milhões de oocistos. Os Oocistos são muito resistentes e podem sobreviver no ambiente por até 18 meses.
Durante o ciclo de infecção intraintestinal no gato, alguns organismos de T. gondii são liberados dos cistos ingeridos e podem penetrar mais profundamente na parede do intestino e, então, se multiplicarem em forma de taquizoítas . Os taquizoítas, em seguida, irão atingir outras partes do organismo do gato iniciando o ciclo de infecção extra-intestinal. Eventualmente, o sistema imunológico do gato restringe este estágio do organismo, o qual então entra numa fase dormente ou de “repouso ” através da formação de quistos nos músculos e no cérebro.
Os oocistos liberados ​​nas fezes de um gato não são imediatamente infecciosos para outros animais. Eles devem primeiro passar por um processo chamado de esporulação, o que leva de um a cinco dias, dependendo das condições ambientais. Uma vez esporulados, os oocistos passam a ser infectantes para gatos, pessoas e outros hospedeiros intermediários.
Os hospedeiros intermediários do Toxoplasma gondii, seres humanos e cães por exemplo, podem ser infectados através da ingestão de oocistos esporulados, mas não são capazes de eliminar oocistos. Esta infecção resulta na formação de quistos em vários tecidos do corpo. Cistos teciduais permanecem no hospedeiro intermediário para a vida toda e são infecciosos para gatos, pessoas e outros hospedeiros intermediários caso o tecido contendo os cistos seja ingerido.
Se você foi infectado com o Toxoplasma uma vez, por via de regra, não será infectado novamente.

Como a toxoplasmose afeta  o meu gato ?
A maioria dos gatos infectados com T. gondii não apresentam nenhum sintoma. Ocasionalmente, no entanto, o quadro clínico da toxoplasmose pode ocorrer. Quando a doença está presente, ela pode se desenvolver caso a resposta imunológica do gato não seja suficiente para impedir a disseminação das formas taquizoítas. A doença é mais provável de ocorrer em gatos com o sistema imunológico suprimido, incluindo jovens gatinhos e gatos com o vírus da leucemia felina (FeLV) ou vírus da imunodeficiência felina (FIV).
Os sintomas mais comuns da toxoplasmose são febre, perda de apetite e letargia. Outros sintomas podem ocorrer, dependendo do tipo da infecção, aguda ou crônica, e também da localização do parasito no organismo. Nos pulmões, a infecção por T. gondii, pode causar pneumonia, o que levará a um desconforto respiratório, o qual irá se agravando gradualmente. A toxoplasmose também pode afetar os olhos e o sistema nervoso central , produzindo inflamação da retina ou da câmara ocular anterior, alterando o tamanho normal da pupila e também a capacidade de resposta à luz, causando cegueira, incoordenação motora, mudanças de comportamento, pressão da cabeça contra obstáculos, orelhas contraídas , dificuldade de mastigação e deglutição de alimentos, convulsões e perda de controle sobre a micção e defecação.

É verdade que os gatos têm um papel importante na propagação da toxoplasmose? Eu posso “pegar” toxoplasmose do meu gato? Como os gatos podem se infectar e transmitir a infecção?
Sim. Os felinos são hospedeiros naturais do parasita, e estes parasitas se reproduzem no intestino do gato. Eles se infectam pela ingestão de roedores contaminados , aves ou outros animais. O parasita é então eliminado nas fezes do gato. Gatos e gatinhos preferem caixas de areia, e terras de jardim para a eliminação de suas fezes. Quando infectados podem  excretar milhões de parasitas junto as fezes, diariamente, durante um período de 3 semanas após a infecção. Gatos adultos são menos propensos a eliminar oocistos de Toxoplasma. Os oocistos se tornam infectantes 24 horas depois de serem excretados. Em condições ambientais favoráveis, os oocistos sobrevivem no solo, areia ou lixo e permanecem infecciosos por até 18 meses. Durante este tempo, eles se espalham no ambiente contaminando água , solo, frutas e legumes. O ser humano pode se infectar ao comer frutas e vegetais se estes não forem cozidos, lavados ou descascados, e involuntariamente ao colocar a mão na boca depois de manipular a caixa de areia, ou enquanto realiza a jardinagem sem luvas.
Assim, embora seja possível se infectar com oocistos de toxoplasma entrando em contato com as fezes do gato, as pessoas estão muito mais propensas a infecção através da ingestão de carne crua e de frutas e vegetais não lavados.

Eu tenho que me livrar do meu gato se estou grávida ou pensando em engravidar?
No passado, as pessoas imunodeficientes e mulheres grávidas eram aconselhadas a evitar gatos. No entanto, os Centers for Disease Control (CDC ) afirmam agora que isso não é necessário.
As fezes do gato é, sem dúvidas, uma importante fonte de infecção para a toxoplasmose, mas isso não significa que você precisa se livrar do seu amado animal de estimação. Possuir um gato não significa que você será infectado com a doença. No entanto,  você deverá tomar alguns cuidados extras.
É improvável que você esteja exposto ao parasita simplesmente ao tocar um gato, mesmo que  infectado, porque os gatos geralmente não carregam o parasita em sua pele. Também é improvável que você possa ser infectado através da mordida de um gato ou através de arranhões. Além disso, gatos mantidos dentro de casa, que não caçam presas e aqueles que não comem carne crua, não são susceptíveis de serem infectados com T. gondii.

As pessoas são muito mais propensas a infecção através da ingestão de carne crua e de frutas e vegetais não lavados do que através da manipulação de fezes de gato.

Como é diagnosticada a toxoplasmose em gatos ?
Como seres humanos, os gatos raramente apresentam sintomas quando infectados, por isso a maioria das pessoas não sabe se o seu gato foi ou não infectado.
A toxoplasmose é geralmente diagnosticada com base no histórico do animal, sinais de doença, e resultados de testes laboratoriais. A medição de anticorpos IgG e IgM para o Toxoplasma gondii no sangue pode ajudar a diagnosticar a toxoplasmose. A presença de anticorpos IgG para T. gondii num gato saudável sugere que o gato foi infectado previamente e agora é muito provável que esteja imune e não está mais excretando oocistos. A presença de anticorpos IgM contra T. gondii significativos, no entanto, sugere uma infecção ativa no gato. A ausência de anticorpos de T. gondii , de ambos os tipos em um gato saudável sugere que o gato é susceptível a infecção e, portanto, poderia ser liberado oocistos de uma a duas semanas após a infecção.
Por vezes, os oocistos podem ser encontrados nas fezes , mas este não é um método confiável de diagnóstico, porque eles se parecem com outros parasitas, e podem ser confundidos. Além disso os gatos eliminam os oocistos durante um curto período de tempo e muitas vezes não liberam oocistos quando estão apresentando sinais da doença.
Um diagnóstico definitivo requer um exame microscópico dos tecidos ou esfregaços de impressão de tecido para alterações patológicas distintas e a presença de taquizoítos.

A Toxoplasmose em gatos deve ou pode ser tratada?
A maioria dos gatos que têm toxoplasmose pode se recuperar com o tratamento. O tratamento geralmente envolve antibioticoterapia com clindamicina. Outros medicamentos que são utilizados incluem a pirimetamina e sulfadiazina , que agem em conjunto para inibir a reprodução de T. gondii . O tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível após o diagnóstico e continuado durante vários dias, após os sinais terem desaparecido . Na doença aguda , o tratamento é iniciado por vezes na base de um título elevado de anticorpos no primeiro teste . Se a melhora clínica não é vista dentro de dois a três dias, o diagnóstico de toxoplasmose deverá ser reavaliado.
Nenhuma vacina está ainda disponível para prevenir a infecção ou a toxoplasmose em gatos , humanos, ou outras espécies .

Uma vez infectado com o Toxoplasma o meu gato sempre será capaz de espalhar a infecção?
Não. Os gatos só eliminam os oocistos mas fezes por alguns dias em toda a sua vida, algumas semanas após a infecção. A chance da contaminação humana através do gato é muito pequena. Gatos que eliminaram oocistos de Toxoplasma gondii são considerados imunes ao toxoplasma e não irão eliminá-los novamente.

Como posso evitar a infecção se estou grávida e tenho um gato?

  • Evite trocar a areia do gato, deixe que outra pessoa não gestante realize a tarefa. Se não for possível, use luvas e lave bem as mãos após a limpeza. Alguns especialistas também sugerem o uso de uma máscara, caso as partículas se espalhem pelo ar quando a areia é agitada;
  • A caixa de areia do gato dever ser limpa diariamente. Pois assim o risco de infecção é reduzido, visto que os oocistos não são infectantes nas primeiras 24 horas após serem eliminados nas fezes;
  • Mantenha o gato dentro de casa;
  • Evite contato com gatos de rua , especialmente com filhotes;
  • Alimente seu gato com alimento comercial seco ou enlatado, não o alimente com carne crua ou mal cozida;
  • Não permita que os gatos usem o  jardim ou a área de lazer infantil para fazer suas necessidades;
  • Faça o controle  das populações de roedores e de outros potenciais hospedeiros intermediários.
O que mais eu posso fazer para evitar uma infecção?

  • Evite produtos lácteos não pasteurizados;
  • Lave ou retire a casca de frutas, legumes e verduras antes de consumir;
  • Lave as tábuas de corte, os pratos, balcões, utensílios e, principalmente, as mãos  que entraram em contato com alimentos crus. Lave com água quente e sabão;
  • Não toque na boca, no nariz ou nos olhos ao preparar o alimento, e sempre lave as mãos antes de comer. Use luvas descartáveis ​​se tiver qualquer tipo de corte nas mãos;
  • Mantenha moscas e baratas longe de sua comida;
  • Evite beber água não tratada a menos que seja fervida. Use água mineral quando acampar ou viajar;
  • Usar luvas durante a jardinagem e durante qualquer contato com o solo, areia, e outros locais onde possa conter fezes de gato. Lavar bem as mãos depois de entrar em contato com o solo ou areia;
  • Cozinhe bem os alimentos. A carne deve ser bem passada;
  • Mantenha os montes de areia ao ar livre cobertos.

Como preparar a carne para evitar a infecção?
  • As carnes devem ser manuseadas e cozidas adequadamente;
  • Congele a carne durante vários dias antes de cozinhá-la. Isto irá reduzir , mas não eliminar a possibilidade de infecção;
  • Cozinhe bem a carne. Esta é a única maneira de ter certeza que você eliminou o risco de contaminação.

USDA recomenda o seguinte para a preparação da carne:

  • Para cortes inteiros de carne (excluindo frango) – Cozinhe-a pelo menos a 63 °C. Em seguida, permita que a carne descanse durante três minutos antes de consumi-la;
  • Para a carne moída (excluindo aves) – Cozinhe-a pelo menos a 71 ° C. A carne moída não requer um tempo de repouso;
  • Para todas as aves (cortes inteiros e pedaços) – Cozinhe-a pelo menos a 74 ° C. Em seguida, descanso durante três minutos antes de consumir.
*De acordo com o USDA “tempo de descanso é a quantidade de tempo que o produto permanece à temperatura final, depois de ter sido removido a partir de uma grelha, forno, ou de outra fonte de calor. Durante os três minutos após a carne ser removida da fonte de calor, a sua temperatura permanece constante ou continua a aumentar, o que leva a destruição de agentes patogênicos.”

Especialistas estimam que nos países industrializados, a transmissão mais comum para os seres humanos é, provavelmente, a ingestão de carne crua ou mal cozida, especialmente carne de cordeiro e carne de porco. O organismo pode, por vezes, estar presente em alguns produtos lácteos não pasteurizados, como o leite de cabra. O Toxoplasma gondii também pode ser transmitido diretamente de mulher grávida para o feto quando a mãe é infectada durante a gravidez.
O veterinário do seu animalzinho pode responder a quaisquer outras dúvidas que você possa ter em relação ao seu gato e o risco para toxoplasmose.
Dra. Nayara Pataro Fagundes
Médica Veterinária (CRMV-MG 13865)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMERICAN ASSOCIATION OF FELINE PRACTITIONERS. Toxoplasmosis in cats – Improving the health of cats by developing methods to prevent or cure feline diseases and by providing continuing education to veterinarians and cat owners.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION – CDC. Toxoplasmosis (Toxoplasma infection) – Pregnant Women.
DUBEY, J. P. Duration of Immunity to Shedding of Toxoplasma gondii Oocysts by Cats. The Journal of Parasitology, Vol. 81, No. 3 (Jun., 1995), pp. 410-415.
HILL, S. L. ; CHENEY, J. TATON-ALLEN, G. M. ;  JOHN, F. ; REIF S. ; BRUNS, C. ;  LAPPIN M. R. Prevalence of enteric zoonotic organisms in cats. Journal of the American Veterinary Medical AssociationMarch 1, 2000, Vol. 216, No. 5, Pages 687 692doi: 10.2460/javma.2000.216.687.

Gravidez Psicológica Canina (Pseudociese)

“Parece que a minha cachorra quer fazer um ninho, ela fica cavando e está muito inquieta e irritada. Ela fica choramingando pela casa carregando um brinquedo na boca como se quisesse escondê-lo ou protegê-lo. O que pode ser?” 
É possível que ela esteja apresentando um quadro de pseudociese, popularmente conhecido como gravidez psicológica. 
                                   
A pseudociese é um fenômeno clínico no qual a fêmea que não se encontra prenhe apresenta comportamento maternal e até mesmo lactação. Não é preciso haver filhotes no útero para que a pseudogestação ocorra, por isso é chamada de “gravidez psicológica”. Ela é causada por alterações hormonais relacionadas, principalmente, a queda de progesterona  e aumento na produção de prolactina.
O hormônio progesterona está presente durante o cio da cadela e normalmente perdura por mais dois meses. Quando a cadela está para dar a luz, o nível de progesterona cai, o que estimula a produção do hormônio prolactina. A prolactina age no tecido mamário e ativa a produção de leite, e também estimula o comportamento maternal presente. Os sinais são perceptíveis geralmente de 6 a 12 semanas após o cio (estro). Ocorre comumente em cadelas não castradas e é considerado um fenômeno normal. 
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Sinais típicos de pseudociese na cadela: 
  • Mudança repentina de comportamento;
  • Organização de ninhos;
  • Inquietação e irritabilidade;
  • Adoção de objetos inanimados ou outros animais;
  • Aumento das glândulas mamárias
  • Distensão abdominal; 
  • Vômito;
  • Depressão;
  • Redução do apetite;
  • Produção de leite (lactação), ou presença de uma secreção líquida de cor acastanhada nas glândulas mamárias.
    Apesar de ser considerada normal, em alguns casos, apresenta uma duração bastante prolongada. Quando a pseudociese persiste por um período maior gera desconforto para o animal e seu proprietário. Pode também levar a um quadro de mamite, inflamação nas glândulas mamárias. Por isso, é importante ficar atento aos sinais clínicos apresentados pelo animal como aumento de temperatura local, surgimento de pequenas estruturas palpáveis (pequenos caroços nas mamas), dor ao toque e pele avermelhada na região. Se observado um desses sinais não deixe de consultar um médico-veterinário. 
    É importante lembrar que o manuseio das glândulas mamárias pode estimular a produção de leite. Logo, deve-se evitar manusear as mamas da cadela, e também outros estímulos que promovem a lactação. O auto-aleitamento (lambedura das glândulas mamárias) é um estímulo comum realizado pelas cadelas. Caso a fêmea esteja lambendo a si mesma o uso do colar elizabetano deverá ser considerado.

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    O veterinário é a pessoa mais indicada para auxiliar no diagnóstico e tratamento da pseudociese canina!
    Diagnóstico

    Através da obtenção de um histórico detalhado da saúde do animal, com a identificação do início e natureza dos sintomas, e um exame físico completo o veterinário irá definir o diagnóstico. As técnicas de diagnóstico por imagem, através de raios-X e/ou ultra-som podem, concomitantemente, ser indicadas com o objetivo de descartar uma gestação normal ou quadros de infecções uterinas.  
    Tratamento

    Normalmente o tratamento não é necessário. Os sinais clínicos são autolimitantes e na maioria dos cães cessam após 2 ou 3 semanas. Em algumas situações é necessário o uso de medicamentos que atuam como inibidores da prolactina. Além disso, a tranquilização leve poderá ser considerada para animais que apresentam comportamento agressivo, porém o uso de alguns tranquilizantes induz a secreção de prolactina o que agravaria o caso. Em alguns pacientes, a redução da ingestão diária de alimentos contribui para diminuir a produção de leite. Consulte sempre um veterinário antes de iniciar um tratamento!  
    É importante salientar que todos os tratamentos medicamentosos para pseudociese são deletérios para a gestação. Sendo assim, é fundamental certificar-se de que o animal não está gestante.
    É indicado castrar a cadela durante um quadro de pseudociese? 

    Pode parecer uma boa ideia castrar a fêmea para resolver o problema, pois o procedimento irá remover os ovários e os corpos lúteos presentes. Mas infelizmente isso não irá diminuir a produção da prolactina (produzida na glândula pituitária – hipófise), e a ovário-histerectomia, castração, pode ainda prolongar a falsa gestação. Em fêmeas sadias esse procedimento pode levar ao desenvolvimento de pseudociese, dependendo da fase do ciclo estral da cadela em que foi realizado. É comum as cadelas desenvolverem gravidez psicológica logo após a castração, quando essa é realizada até três meses depois do início do cio (fase de diestro). A castração durante a pseudociese é, portanto, contra-indicada.
    Para os proprietários que não planejam reproduzir seus cães a ovário-histerectomia  é recomendada para prevenir futuros episódios de pseudociese. A recidiva é muito frequente. O mais indicado é esperar a resolução do quadro clínico e, em seguida, quando a fêmea se encontra em anestro, castrá-la. 
    Caso os sinais de pseudociese se tornem recorrentes em um animal castrado, esse deverá passar por uma avaliação veterinária criteriosa.
    Cuide bem do seu melhor amigo!!! 

    Ansiedade de Separação em Cães

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    Você chega em casa depois de um longo dia de trabalho e é recebido por um cãozinho extremamente agitado, que fica girando e pulando energicamente ao seu redor. Seu cão o segue em sua sala de estar, e la você descobre que ele mastigou o seu par de sapatos favorito. Seu vizinho vem para lhe dizer que, mais uma vez, o seu cão levou a vizinhança a loucura com uivos e latidos excessivos enquanto você estava fora.

    Este cenário é familiar? Se a resposta for sim, seu cão pode estar sofrendo de ansiedade de separação.

    Como posso saber se o meu cão tem ansiedade de separação? 

    Ansiedade de separação é um sofrimento emocional em cães quando estes são separados de seus donos. Essa separação pode resultar em episódios de destruição maciça (particularmente arranhões nas portas e janelas), objetos quebrados, vizinhos que se queixam de latidos e uivos excessivos, papel e estofados rasgados, xixi em itens pessoais, como roupas de cama, sapatos e roupas, e em locais inapropriados. 
    Se o seu cão exibir esses comportamentos, é importante lembrar que isso resulta de ansiedade, e que punir o animal só vai piorar o problema.
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    Outros sinais incluem depressão, falta de apetite, salivação excessiva, animal se escondendo, tremendo, ofegante, andando de um lado para o outro, o animal pode ate mesmo apresentar um comportamento agressivo para impedir que o seu dono saia de casa. Auto-mutilação e lambeduras excessivas, também podem estar presentes.
    Quando o seu querido dono volta para casa, ele fica muito animado, saltando freneticamente e por um longo período de tempo, latindo, correndo, etc. Esta saudação excessiva indica um distúrbio psicológico, que é muitas vezes incompreendido pelo proprietário, o qual considera o comportamento inofensivo e ate mesmo engraçado, “bonitinho”.  Alguns proprietários ate incentivam o cão a ficar mais animado. Isso parece ser algo normal, mas, na realidade, ao fazer isso, você está confirmando que o seu retorno é o único ponto alto do dia para o animal.

    Fatores Predisponentes: 
    • A maioria dos pesquisadores concorda que a ansiedade de separação é causada por fatores diferentes, um fator de grande importância seria a composição genética. Algumas raças são  geneticamente inclinados para a insegurança e ansiedade -Weimaraners, Springer Spaniel, pastores alemães, e Airedales são alguns exemplos comuns.
    • Cães que vivem em domicílios com adultos solteiros são mais propensos a ter ansiedade de separação do que os cães que vivem em domicílios com mais pessoas.
    • Cães que têm uma ligação muito intensa com os seus proprietários são mais perturbado quando esse vínculo é desfeito.
    • Novo membro na família, como um bebê ou uma mudança de residência
    • Cães que sofreram algum tipo de provação significativa em suas vidas são propensos a ansiedade de separação. “Cães de abrigo” e “cães abandonados” são exemplos típicos.
    • Cães que são retirados de suas mães muito cedo. O exemplo perfeito para isso: filhotes de loja de animais, geralmente são tirados de suas mães bem antes das 8 semanas de vida. Em seguida, são  confinados em gaiolas, tudo isso combinado com a falta de exercício e socialização adequada. Isso afeta significativamente a saúde mental do animal.
    • Negligência por parte do proprietário é a mais importante causa de ansiedade de separação. A maioria dos cães que sofrem de ansiedade de separação tem um dono, cujo tempo presente na vida do cão é muitas vezes menor do que o tempo ausente. 
    • Animal que não se socializa com outros animais, e que possuem contato exagerado com seres humanos (animais muito humanizados).


    Aqui estão cinco dicas para ajudar a aliviar a ansiedade de separação:
    Por Cesar Millan

                                        Pfizer

    1. Antes de sair de casa leve o seu cão para um passeio.
    Comece o seu dia com o seu cão levando o para um passeio rápido e rigoroso. Em seguida recompense a energia do seu animal calmo-submisso com comida e água. Alguns cães podem precisar de descansar antes de comer, mas todos os cães podem se beneficiar da hidratação. A idéia é deixar o seu cão em modo silencioso, em repouso enquanto você estiver fora.

    2. Não toque, nenhuma conversa, nenhum contato com os olhos.
    Não faça um grande alvoroço quando você sair ou chegar em casa. Dessa forma, você deixa claro para o seu animal que o tempo que passam separados não é grande coisa. É apenas um habito corriqueiro, como de costume! Dependendo da gravidade da ansiedade do cão, pode ser que você precise praticar essa regra por cinco minutos ou até uma hora antes de sair e também quando você voltar.

    3. Diga adeus ao seu cão muito antes de você sair.
    Tendo problemas para praticar “sem toque, sem conversa, sem contato com os olhos”? Tire um momento para compartilhar afetivamente  e informar o seu cão que você vai sentir falta dele, mas faca isso muito antes de realmente sair. Tenha em mente que esta exposição é para você, e não para seu cão! Seu cão não vai ter seus sentimentos feridos se você não dizer adeus.

    4. Mantenha-se calmo e assertivo!
    Quando você estiver pronto para ir ao trabalho, deixe os sentimentos de culpa, insegurança e preocupação para trás. Ao invés disso, deixe o seu cão sentir que tudo vai ficar bem, passando a energia confiante de um líder de matilha. Um líder calmo e assertivo pode aliviar a ansiedade de separação em cães.

    5. Iniciar o processo aos poucos, deixando seu cão sozinho por apenas cinco minutos.
    Deixe o cão sozinho durante cinco minutos, em seguida, estenda o tempo para 20 minutos, em seguida, uma hora. Continuar aumentando o tempo que você gasta afastado até que você possa deixa lo sozinho por ate oito horas, sem problemas!

    Outras Dicas valiosas:
    De ao animal algum osso ou brinquedos, bolinhas, bichos de pelúcia  para que ele possa mastigar e assim ocupar a mente. Todos os cães gostam de mascar, então vamos incentivar isso corretamente. Esta é uma boa maneira de distraí-lo. De o brinquedo ao animal pelo menos 15 minutos antes de sair de casa, para que ele não associe esse gesto com sua partida. Isso ira mantê-lo feliz e ocupado.

    Quando sair, coloque o rádio em uma estação com música suave e clássica. Isto vai deixa-lo com a sensação de que ele tem companhia. Além disso, proporcionar a ele uma boa visão do mundo exterior, se possível. Essa é a melhor coisa para que ele possa lidar com o confinamento.

    Obs. Em alguns casos (graves), medicamentos podem ser necessários, associados a treinamento e terapia comportamental. Esses só devem ser usados ​​sob a orientação de um veterinário.

    Não deve ser feito:

    • Incentivá-lo a agir quando você chegar em casa – Pode ser tentador, mas infelizmente, não faz bem para o seu cão.
    • Mimar o animal quando o mesmo estiver choramingando ou uivando – Confortar o seu cão nesse momento não é um boa coisa. Isso faz com que ele confirme o medo.
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    Lembre-se de que os cães são animais sociáveis e precisam sempre de alguma interação e atenção.

    Dra. Nayara Pataro Fagundes

    Síndrome do Gato Paraquedista

    Curiosos e destemidos, felinos sofrem da síndrome do gato paraquedista: uma queda que pode levar a graves lesões. 

    Os gatos são animais super espertos. Dentro das residências e apartamentos, geralmente não param quietos – a não ser que estejam dormindo. Justamente por serem curiosos e destemidos, os felinos correm mais riscos de sofrer acidentes.
    Em grandes cidades, onde os apartamentos acabam sendo a principal forma de moradia, nem sempre é fácil criar um animal de estimação. Os gato têm sido um opção constante para esse tipo de moradia, visto que eles são mais independentes e exigem menos espaço que os cães. E não existe uma raça específica para viver em apartamento, isso porque para os gatos,o mais importante é a forma como são tratados.

    Diferente dos cães, os gatos sobem nos parapeitos das janelas e sacadas para observar o movimento. 
    O problema é que, às vezes, por serem tão curiosos, eles passam do limite e ficam propensos a grandes quedas, que têm até nome: síndrome do gato paraquedista.  Os gatos são caçadores natos, e estão sempre atentos aos movimentos ao seu redor. Logo que avistam algo em movimento eles pulam em direção ao objeto. Eles não se preocupam em qual andar estão, se tem algo se mexendo eles tentam “atacar” e acabam, muitas vezes, caindo de janelas e parapeitos. 
    De acordo com o veterinário Ronivan Gobbi, da Clinicão, não há comprovação científica de que os bichanos tentem suicídio quando caem da janela. “Isso não existe. O que acontece é que os gatos não param e, sem medo de altura, podem cair. Além disso, é possível também que eles observem pássaros passando, mosquitos ou borboletas e queiram atacar. Eles têm o extinto da caça.”

    Dificilmente um gato vai se jogar pela janela porque está estressado. Pode ocorrer, mas são fatos isolados, comenta o veterinário. “É errado pensar que o gato se matou, isso traz muito sofrimento ao dono, gera um sentimento de culpa. Devem ser tomadas medidas para prevenir o problema”, comenta.

    Lesões graves devido a queda

    Junto com os atropelamentos e brigas de rua, as quedas são as maiores causas de morte e lesões graves nos bichanos. Segundo Roni, a gravidade da lesão vai depender da altura e dos órgãos atingidos. Geralmente, abaixo do 5º andar, os danos são nos membros. “O gato sofre fraturas”, salienta o veterinário. O gato tem o hábito de cair sempre em pé.

    Acima do 5º andar, a queda pode ser ainda mais grave, porque o animal não consegue virar o corpo. “Ele vai abrir os membros anteriores e posteriores na tentativa de diminuir a velocidade da queda e isso até ameniza o impacto, mas não reduz os problemas. Pelo contrário. Esse tipo de choque origina lesões de tórax e cabeça.” Infelizmente, com o corpo exposto, as lesões atingem diretamente os órgãos vitais. No entanto, quedas do 1° e 2° andar são tão graves quanto aquelas que acontecem de locais mais altos.

    Para o veterinário Richard Filgueiras, doutor em cirurgia ortopédica e secretário-geral da Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Veterinária, quando o gato cai entre o terceiro e o quinto andares não existe tempo hábil para que ele se posicione corretamente e, por isso, as lesões são mais graves. “Devemos considerar fatores externos, como a presença de toldos, aparelhos de ar condicionado e árvores em que o animal pode se chocar durante a queda e dificultar seu posicionamento”, afirma Filguei­ras.

    Telas de proteção, Ambiente enriquecido e Alimentação Adequada

    Para evitar que o bichano sofra esses riscos, o dono pode investir em telas na sacada e janelas, ou deixá-las sempre trancadas quando os animais estiverem sozinhos. Além da tela na janela, para manter o bem-estar dos gatinhos é preciso incentivar as atividades físicas e cuidar da alimentação. Enriquecer o ambiente com brinquedos, para que o gato não fique entediado, é uma ótima ideia. 

    Roni lembra novamente que o termo “gato suicida” é totalmente inadequado, não deve ser usado. Ele diz também que, na maioria dos casos, depois de uma queda os gatos ficam receosos. “Eles tendem a ficar com o trauma de altura e evitam esses lugares. Mas os cuidados devem continuar

    A recuperação em caso de fraturas é lenta. Muca, uma gata de Francisco Beltrão, caiu da janela e está em tratamento na clínica veterinária há mais de um mês. Ela se recupera bem, mas deu um susto na família.

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